IL acusa Chega e Bloco de “caça às bruxas” e critica lei dos solos “inútil”

A Iniciativa Liberal (IL) acusou hoje o Chega e Bloco de Esquerda de fazerem “caça às bruxas” a políticos eventualmente com atividade no ramo imobiliário e considerou que as alterações introduzidas na lei dos solos tornam-na inútil.
Estas posições foram defendidas no parlamento pelo presidente da Iniciativa Liberal (IL), Rui Rocha, para quem Bloco de Esquerda e Chega pretendem “instaurar em Portugal um clima de caça às bruxas contra a atividade imobiliária”.
“Há partidos, nomeadamente o Chega e o Bloco de Esquerda, que neste momento fazem cavalo de batalha de encontrar deputados, governantes, quem quer que seja, que possa ter alguma atividade ou ligação a empresas ou ao setor imobiliário”, apontou.
O presidente da IL salientou depois, em contraponto, que “em Portugal ter uma vida fora da política não é cadastro, e ter atividade económica, seja ela qual for, mas igualmente na área do imobiliário, também não é cadastro”.
Perante os jornalistas, Rui Rocha citou o recente levantamento de casos feito pelo BE sobre políticos com ligações ao setor imobiliário para assinalar que não foi encontrado nessa situação nenhum deputado da IL.
“Confesso que não perguntei a nenhum, porque me parece absolutamente irrelevante. Não há problema nenhum, em geral, que as pessoas tenham atividade económica, nomeadamente atividade no setor imobiliário. Mas parece que esta caça às bruxas já fez ricochete no caso do Chega”, observou.
Nas suas declarações, o presidente da IL criticou também as alterações acordadas entre PSD, PS e Chega, na especialidade, na chamada lei dos solos, sustentando que a futura legislação não resolverá “a crise de oferta no mercado da habitação”.
“Esta discussão tem sido completamente falsificada. Em primeiro lugar, nem sequer estamos a falar de nenhuma Lei dos Solos, mas sim de alterações ao regime jurídico dos instrumentos de gestão de território”, advogou.
Rui Rocha considerou ainda que a discussão está a ser “falsificada, porque se prepara uma legislação que não vai resolver problema nenhum, por se revelar completamente insuficiente”.
“Na fase de especialidade, tem havido um conjunto de alterações que resulta de um alinhamento entre PS, PSD e também Chega no sentido daquilo que era já muito insuficiente ser agora absolutamente inútil. Assiste-se à introdução de elementos que conferem maior rigidez, o que tornará a nova lei absolutamente inútil”, completou.
O líder da IL criticou também recentes declarações proferidas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre esta matéria.
“Ainda na terça-feira, contribuiu para criar a ilusão de que vai haver grandes fortunas a formarem-se com a tal lei dos solos. Mas não vai. Esta legislação vai ser absolutamente inútil”, acrescentou.
jornaleconomico