Lia Árabe reúne de emergência no Egipto com Palestina e Síria na agenda
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Uma cimeira da Liga Árabe convocada com urgência há cerca de duas semanas decorreá esta quinta-feira no Cairo, capital do Egipto, e servirá para os países que a compõem discutirem os desenvolvimentos nos territórios palestinianos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores egípcio informou que a cimeira ocorre sob coordenação do Bahrein, o atual presidente da Liga Árabe.
A decisão de realizar a cimeira ocorre “após consultas e coordenação do Egipto nos mais altos níveis com países árabes, incluindo o Estado da Palestina, que solicitou a cimeira, “a fim de abordar os últimos e críticos desenvolvimentos em relação à causa palestina”, diz o comunicado. Em cima da mesa estão cada vez mais insistentes declarações do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e do presidente dos Estados Unidos segundo os quais os palestinianos deveriam estabelecer Estado fora da Palestina – tendo mesmo sugerido a Arábia Saudita para o efeito. Os sauditas, que evidentemente não apoiam qualquer decisão nesse sentido queixou-se de que as declarações são um exemplo de inexistência de qualquer noção de soberania palestina.
No início do mês, Donald Trump, disse que Washington “assumiria” Gaza e enviaria os palestinianos para outras geografias sob um plano extraordinário de reconstrução que, segundo disse, poderia transformar o enclave na ‘Riviera do Oriente Médio’. A proposta foi recebida com ampla condenação em quase todo o mundo – pelo menos aquele que dispensou algum tempo a ouvir a proposta.
O encontro deverá também servir para debater a situação na Síria, pelo menos no que tem a ver com as agressões de que o país, recentemente liberto do regime de Bashar al-Assad, tem sido alvo também por parte de Israel.
Esta quarta-feira, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, disse exatamente que os ataques aéreos israelitas à Síria são uma “escalada provocatória” e alertou que Telvive, capital de Israel, tenta explorar a transição no país para impor uma “realidade ilegal e ilegítima”. Em comunicado, Aboul Gheit descreveu os ataques contra al-Kiswah, no interior de Damasco, e Izraa, em Daraa, no sul do país, na noite desta terça-feira, como “uma imprudente escalada provocatória que tenta tomar vantagem da transição síria”.
“A ocupação israelita de qualquer terra da Síria é uma violação do direito internacional”, reafirmou, para pedir aos países estrangeiros que adotem uma posição clara contra “essa agressão injustificada, que pretende incendiar tensões regionais e obstruir o processo de transição política na Síria”. Aboul Gheit reiterou a “solidariedade” da Liga Árabe para com a Síria, perante as ações hostis de Israel, incluindo “tentativas escandalosas de semear a discórdia”.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou a ofensiva, ao ameaçar o exército sírio: “Quem quer que tente estabelecer-se na zona de segurança no sul da Síria, encontrará fogo”. Dias antes, Benjamin Netanyahu exigiu a “desmilitarização” do sul da Síria, especificamente do lado árabe, ao afirmar que as tropas sionistas permanecerão no território “indefinidamente”.
Recorde-se que, imediatamente após o colapso do regime de Bashar al-Assad, em dezembro passado, o exército israelita expandiu a sua ocupação nos Montes Golã à zona neutra acordada em 1974. As próprias Nações Unidas juntaram-se aos países árabes condenando a decisão do Estado hebraico.
jornaleconomico