Economia da Argentina encolherá 1,8% em 2024, primeiro ano de Javier Milei no cargo
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A economia argentina contraiu 1,8% em 2024 no primeiro ano do governo Milei, o segundo ano consecutivo de contração, mas um declínio menor que as previsões, que estavam em torno ou acima de -3%.
A atividade da terceira maior economia da América Latina registrou uma contração um pouco mais acentuada nos doze meses de 2024 do que no ano anterior (-1,6%), segundo a estimativa mensal publicada terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (Indec).
Mas a economia, segundo o Indec, mostrou sinais de recuperação acentuada em dezembro em relação a dezembro de 2023 (+5,5%), e também uma leve melhora em relação a novembro (+0,5%).
Em suas últimas projeções, em janeiro, para a economia argentina, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu uma contração de 2,8% para o ano de 2024.
Suas estimativas anteriores, em outubro, eram de uma recessão de 3,5% na Argentina, assim como o Banco Mundial. Vários analistas privados previam uma contração de cerca de 3%.
O FMI previu uma forte recuperação na economia argentina até 2025, com crescimento de 5%, em linha com as projeções do governo.
O primeiro ano da presidência do ultraliberal Javier Milei foi marcado, além de uma desvalorização brutal de mais de 50% do peso, por uma drástica política de austeridade orçamentária, paralisando projetos públicos, secando subsídios (transporte, energia) e eliminando órgãos e institutos públicos.
Terapia de "choque" prometida desde o início pelo economista "anarcocapitalista", que resultou no primeiro superávit orçamentário anual na Argentina em 14 anos como resultado macroeconômico. E a inflação, crônica nos últimos anos, reduziu em um ano de 211% (para o ano de 2023) para 117%.
Dando continuidade à tendência de queda, a inflação do mês de janeiro ficou em 2,2%, o menor índice mensal em quatro anos e meio.
Esses indicadores, no entanto, tiveram como corolário um alto custo social, com a perda de centenas de milhares de empregos e um salto da pobreza para mais de 50% no primeiro semestre do ano, segundo dados oficiais. Este último tem, nos últimos meses, mostrado sinais de declínio, para menos de 40%, assegura o executivo, um número que é, no entanto, contestado.
Grogue, a economia argentina contraiu -5,2% no primeiro trimestre de 2024, depois -3,4% no segundo e -2,1% no terceiro, segundo dados oficiais, para finalmente terminar o ano abaixo de 2%.
"O número...!!!" Javier Milei alardeou na terça-feira em sua conta X, comemorando acima de tudo a recuperação da atividade de dezembro a dezembro, escreveu ele, apesar de "ter feito o maior ajuste orçamentário da história", uma de suas frases favoritas.
Para a economista Maria Castiglioni Cotter, da Universidade Torcuato di Tella, diretora da empresa C&T Asesores, o número do Indec "confirma uma recuperação da atividade que continuou em dezembro (...) e desde maio em todos os meses: alguns meses com mais força, outros menos, mas uma recuperação que, no final das contas, foi muito sustentada".
BFM TV